Meu coração gigante não cabe mais em mim
Quer fugir, se esconder assim. Em ti.
Acostumado com minha solitária pequenez,
sonha em partir.
Quer guardar um pedaço dele com você?
quarta-feira, 26 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Li
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poema exclusivo para o blog literesina
visite o blog: http://poesiatuttifrutti.blogspot.com.br/
Li Teresina
Li esta cidade
minuciosamente
A leio desde que nasci
Cidade-pessoa
Somos do que somos
feitos
Não precisei ler três
vezes
Pra responder a questão
Li Teresina
Li terra quente
Que racha o chão
Li povo quente
De bom coração
Cidade imperfeita
Cidade-pessoa
Tudo bem
Porque não sou lá
essas coisas
Não sou tão bom assim
Mas leio muito bem
Li Teresina quando era
Cidade-menina
Eu era menino
Voando sobre ti
Em carrinhos de rolimã
Li Teresina
Li num-se-pode na Praça
Saraiva
Depois que cresci
Fomos pra lá namorar
Eras menina e foi nesse
tempo
Que eu mais te amei
O inverno começa mais
tarde
Águas de Janeiro
Viraram águas de março
Prendi a respiração
E pulei no Poty
Da ponte da primavera
O medo me tripulou
Mas pulamos
Li Teresina
Ainda menina
Brincando à noite na
rua
Chuta latinha ou passe
o anel
Tempo de inocência
Li Teresina
Nas mesas de quadrinhos
Na praça Pedro II
Cidade de um cinema só
Uma rodoviária só
Um aeroporto só
Um mercado velho só
Um museu só
Um povo só
E um povo só
Éramos tristes
estatísticas
Nos livros de geografia
Mas éramos muito
felizes
Não há tempo
Não há tempo
Não há tempo
Pra falar tudo que li
O mundo pós moderno
Urge e ruge
E te transforma
Malditas urbanidades
Cicatrizes na cara da
cidade verde
Não vou falar disso
agora
Não do que leio
O olho que nunca dorme
Está olhando nossa
cidade
Céu cor de chumbo
Maquiagem pesada
Nada de presente
Nada de futuro
Vejo o futuro
Minha a mão enrugada
Segurando a tua
Li Teresina
Quis falar do que li
Do que vi
E vivi
Tempo de manga e caju
Que não volta mais
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
E daí?
É muito além de uma mera criação.
É uma condição milenar a opressão feminina!!!
E daí que eu adoro jeans e havaianas?
E daí que não curto maquiagens e esmaltes?
E daí que não sou florzinha, bonequinha e coisa e tal?
E daí?
Não sou menos mulher porque teimo em não querer aceitar essas imposições midiáticas.
Mas a gente se livra...
Ah, se livra!!
Por Carol Sousa Moreno
terça-feira, 30 de abril de 2013
Chave de Casa
Uma chave que te abra por inteiro
Uma chave que só eu saiba o segredo
Uma chave por seu pensamento de agora
Uma chave para me libertar
Uma chave que abre portilhas
Uma chave para te libertar
Uma única chave abre a porta da frente
Entre!
Por Carol Sousa Moreno
quarta-feira, 20 de março de 2013
Das boates e bares da zona leste de Teresina
Madrugada na zona leste
Fim de festa
Vou pra casa a pé
As vitrines me ofuscam
Mas as ruas me levam
Leve
Calçadas onde flutuo
Nem um corpo
Pra me acolher
Nem uma boca
Pra me receber
E um velho refrão que diz
Nós somos tão jovens
S i n a p s e s embriagadas
Faltam perspectivas
Para o presente
E ações contundentes
Para o futuro
E é nessas horas
Que eu clamo pela poesia
Ah! Poesia
Tão linda
És tão linda
Tão perfeita
Neste mundo poético
E a tanto tempo
Queria te falar
Não sei o quê
Não sei o porquê
Nem sei quem és
E não sei se existes
Nunca te
vi
Só te senti
Nunca te desejei
Mas te imaginei
Fica comigo
Como um amigo
Neste instante
Importante
Delirante
Único
E
Solitário
sábado, 2 de março de 2013
Ótima Serventia!
Pra comer, se mover, amenizar o calor...
Explicar amores mal resolvidos.
Às vezes também para contemplar a noite.
Mas, quer saber de verdade o segredinho?
A poesia serve como chinela. Sapato de salto alto,
resistência para o Existir mecânico.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Eu Não Vou Correr mais
Cantei
sobre o homem
De
olhar atravessado
E
me vi refletido
Em
seu lamento embaçado
O
acorde é triste
A
frieza incide
Na
dor resiste
Mas
sem revide...
Desprezei
os avisos
E
por puro egoísmo
Deixei
amigos ávidos
E
pernoitei no abismo
Desistir
dos ideais
É
Morrer em mil funerais!
Seria
fácil demais...
Eu
não vou correr mais!
Vou
procurar no mais simples gesto
O
vento mais favorável
Sair
do cômodo protesto
Ser
infalível sobre o implacável
Eu
não vou correr mais!
Voltei
as origens
Em
passos erradios
Sofri
com miragens
E
pecados movediços
Mas
é passado
Jaz
abatido
Mal
transpassado
Mantra
repelido
Tenho
meu ás
Eu
não vou correr mais
Autor:
Heitor Matos
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Clandestina
Quase certa de que porto um objeto ilegal.
Me escondo nas páginas e histórias
que eu mesma queria ser autora.
Mergulho no enxuto da imaginação desses contos:
uma estranha no litoral.
Enquanto observo os mergulhantes no mar.
Observo.
Reservo.
Serva das palavras.
Autor:
Aldenora Cavalcante
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Alguns prazeres e dores não devem ser compartilhados
Final dos anos 80
Teresina,
Praça Rio Branco, entre as bancas de revista
Sinto o
gosto dos velhos quadrinhos
E o cheiro
de blues no walkman
Já aparento
ser maior de idade
Então, desço
pela Payssandú
Rumo a
velhos cabarés
Procurando
velhas novidades
Teclado e
guitarra em Right
Bateria e
baixo em left
E a voz de
Jim Morrison em todo lugar
Soul Kitchen
em som stereo
A beleza com
um berro histérico
Um
pensamento pousa na minha mente
As putas e
os poetas são muito parecidos
Entre um
cliente e outro
Um intervalo
de realidade
Entre um
poema e outro
Um intervalo
de realidade
E no cabaré
Vejo putas
bonitas e tristes
Deixando
homens feios bem alegres
As putas e
os poetas são muito parecidos
Porque se
prostituir sem se corromper
É uma arte
Enquanto me
arrumo
Ela prepara
uma velha receita
Spaghetti alla puttanesca
Ei, mulher! Você
pode dividir comigo?
Sinto muito, poeta
Essa é a minha realidade
Que não dá pra dividir
Aprenda essa dura lição
Não faça poemas sobre tudo
Alguns
prazeres e dores não devem ser compartilhados
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Sala de Estar
Deve haver lugar melhor que o lar...
Onde não recaia sobre ti outras acusações
Sem mais armadilhas na sala de estar
Ou atores em novas armações
Colecionando martírios
Como bem precioso
É desastre notório
E ciclo vicioso
A bradar delírios
Em pedidos de perdão
É tenso o prelúdio
De medo em solidão
Deve haver alguém para confiar
E mudar tua expressão de descrença
Não deixa o teu rosto enrugar
Nos frios moldes da indiferença...
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