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sábado, 14 de maio de 2011

Continuo vagabundo

Acabei de acordar
As escolhas feitas ontem foram as mesmas
Sem tempo pra nada, vegetei no leito.
Sem escolha de nada, continuei do mesmo jeito.
A rotina dura se repetia,
Como o girar da roda gigante que vez em quando eu via.

Neste momento estou na frente da tv
Querendo enteder as cortinas vermelhas,
Na parede preto e verde
E no fundo nenhum som, só a surdina.
Que quando o ouvido escuta e o olho vê,
Estremece a alma, martelo e a retina.

Agora estou na fila do banco
Esperando o tal do atendiemento:
Que promentem ser mais rapido que piscar.
Mas é não camarada, eu lamento.
O dinheiro rege a vida, rege tudo, rege o mundo
E eu na perifeira, continuo vagabundo!

Acabo de chegar do centro comercial
Que os grande empresarios chamam de coração da cidade
Que a população desfruta com olhos de fome
E ninguem percebe o tamanho da desigualdade:
No mesmo centro que orferece a fartura
Exclui do privilegio seu nome.

Agora estou deitando na minha cama
Descansando a cabeça no traveseiro
Esperando o sol surgir e tudo começar de novo
Anotando o que vou fazer primeiro
Mas na lista não tem espaço pra transformação
Se tento colocar, perco dinheiro

E o dinheiro rege a vida, rege tudo, rege o mundo!
É isso que os grandes empresrios dissem.
E ninguem percebe o tamanho da desigualdade.
Mas na periferia, continuo vagabundo!
Esperando o sol surgir e tudo começar de novo.
Como a roda gigante que gira a vida, gira tudo, gira o mundo!



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Morena Theresina


Pois morena
Quando espalhas teu corpo
Lindo, doce, frondoso
Pelo chão de Theresina
O sol refletido em tua cintura fina
Mais parece um espelho, mágico, grandioso.
E lá mesmo vejo escrita minha sina.
E quando te vejo sentada
Com teus pés afundando n’água
Sob balançar do Parnaíba ou do Poti
Olho de cima da mais alta arvore.
Pra ver teu rosto na água refletir
Não me importa o quanto posso demorar
A espera vale só em ver teu sorrir.
Oh morena mais bonita que o sol
Quisera eu ter coragem de falar
Quando lê estes versos e se quiser me encontrar
Juro. Não terei vergonha de me mostrar.
Vou ver todos os dias o encontro do Parnaíba e do Poti
Sonhando que um dia esteja também lá.
Não pra vê-los, mas para me encontrar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Como uma prensa

Mesmo longe
Não tendo teu corpo no meu
Mesmo frio
Não aquecendo, nem tu nem eu.

Eu espero, sem presa.
Pois sei, e como sei.

Que quando perto
A mola prensada explodi feito vulcão
O amor guardado
Se mostra a cala limpa, ao arder da paixão.

E por isso eu espero
Sem presa.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um breve poema de Luta

Aos que precisam de oportunidade
Mostro-lhes a luta
Aos que padecem da opressão
Mostro-lhes luta
Aos que, sem comida e água, matem-se á margem social
Mostro-lhes a luta
Aos que precisam de um motivo pra lutar.
Ofereço o contraponto, a contra-hegemonia.
Aos que precisam de fatos concretos.
Ofereço nossas bandeiras.
Aos que são alienados.
Entrego-lhes os óculos da verdade
Aos que não querem ver.
Sussurro ao pé d‘ouvido
Aos que não querem ouvir
Ofereço meus braços e abraços e estendo minha mão.
Aos que, ainda assim, resistem
Verão meus atos a seu favor

Mas há sempre os que se opõe:

Por que a luta não tem fim, nem tem começo
Nem é estática, parada feito gesso.
Por que o verdadeiro sentimento se chama mudança.
E nas entrelinhas, está intrínseco: esperança.

Por que a luta persiste no coração daquele que sonha. E sonha o homem que vive. E vive o homem que ama. E vive. E ama. E com amor, faz do sonho concretude. Realidade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eu só queria meu Pijama

Me diga o que se passa neste coração.
Me diga o que há nesta vida.
Tão louca, desmedida
De passos embriagados, distraída.
Desvairada, sem freio sem nada
Me diga o que é esta louca sensação.
Nem frigidez,  nem tesão.
Que digo sim e ao mesmo tempo digo não
Que me mostra o mundo e a solidão.
Me diga o que é este infame sentimento
Que me suga, me consome e que eu me alimento
Que não some um só momento
Que minh’alma devora e não há lamento
Me diga qualquer coisa insana
Que me faça acreditar que esta vida profana
É um sonho meu ao travesseiro da cama
Ou não diga nada, e me jogue à lama.

Sem sono, sem dormida. Sem pijama.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

De longe ouço novamente o som.
Mas... Estou sem coração no momento
Me liga mais tarde, pode ser?
Talvez eu encontre essa parte que faz inteiro

É como mar ou o oceano, saca?
Parece água como todas as outras,
Mas não fosse aquela pitada de sal
Perderia a graça, talvez ficasse às traças.

Pois de fato não estou inteiro
Imerso em um universo que não tem nome
Mas que doe como furo de espinho
E me bate com um braço que não posso ver.

Eu to desligando agora!
Mesmo que você não queira.
Mas quando eu montar o quebra cabeça
Eu juro que retorno a ligação.

Sabe aquela parte que falta? Aquela peça que completava! Aquela pita de sal! Ela também faltava ao quebra-cabeça. A sorte minha é que peça era mesma. O azar meu era que ou eu ficaria sem coração ou o quebra-cabeça sem a peça que o completaria. Foi quando optei pelo coração. Tão mágico foi que o quebra-cabeça se completou, sem que eu montasse, sem que eu o tocasse, ele se completou. Pura mágica, não sei!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Amor que sabe falar

Mas se por ventura
Um beijo teu eu ganhar
E tu, em meus braços se deitar
E se aprochegar
E me afagar
E dizer: meu bem, meu bem
Vem me amar.
Se por ventura tu me olhar
E depois de uma piscadela, me chamar
Com o sorriso de canto
Que encanta sem catar
Vou fazer aquele silêncio todo esbravejar
Oh morena bonita me deixa te alcançar
Subo colina, desço morro, corto pomar
Como urucum, faço buquê, mato preá.
Viro poeta, escritor e ate me astrevo a cantar.
Quando é por te eu faço é sem pensar
E de me arrepender, nem ouço falar.
Porque morena é com tu que eu quero casar
Ter dois filhos,
E viver ate um mundo de nois de cansar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Poder da mente

i

Mas era, eu sei, por sufoco ,
Talvez seja apenas um vacilo meu.
Talvez nem esteja vendo aquele moço,
De olhos claros e comportamento plebeu

Por distração, comoção.
Pra refugiar. Por medo eu confesso.
Estando sempre com estilhaços na mão.
Algo invento, regresso.

Eu via com os olhos fechados.
Dos pés a cabeça, o fervor subia.
Não tendo mais doce, nem amargo
Deito ao chão, dormente de anestesia.

É neste momento que ouço os gritos:
A histeria, a loucura, o insano.
A passos largos, fino infinito.
Ponho as mãos na cabeça, como que pensando.

Ai meu deus, meu pai, meus deus!
Por que minha perna treme sem que eu queira?
Meus olhos choram aos olhos teus.
Meu coração pula, como o fogo da fogueira

E quando finda todo o sinal de barulho
Estenuado, ergo o cérebro e a cara a frente
Me percebo tão só, que nem acompanhado de orgulho
Decifro tal loucura que criou minha mente.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

aVESSO

Como estou?
(Ela pergunta sem eu perguntar)
- Deitada sem dormir,
Em pé sem andar
(Ela responde e não me permite opinar)

E o que pareceria loucura
E provavelmente era.
Não passava de tortura
Psicosofriento igual ao da novela.

Ela distorcia e retorcia um cordão
Em barulhos incautos
Entre os seis dedos da mão.
Mas nada que mudasse os altos.

Eu digo que nos somos os loucos
Porque somos normais e aceitamos a sensatez fingida
Porque não conseguimos externar nem gritos roucos
Nem brigar ou espernear, não na volta nem na ida.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Uma Mulher: Seus sonhos e realidades.

Hoje é um dia tão especial

Meu passado mais uma vez bateu a minha porta.
E pela primeira vez eu fiz algo louvável
Foi como nos cinemas: cena ruim, corta!
E assim a cena dois prossegue: limpa e saudável.
Nem os gritos nem os berros,
Nem os socos e pontapé.
Ele foi embora, com o rabo entre as pernas.

Pena que era só um sonho.

Meu passado mais um vez bateu a minha porta
E como a criança que treme ao ver o bicho papão
Nada fiz, além do sonho e da ilusão.
Eu não era, mas pensei ser forte.
Nem afago ou carinho. Nem a verdadeira face, um faceta.
Somente cortes e recortes,
Com feridas e maquilagens cor de violeta.

Eu sempre calada, tentando preservar o que chamava de familia, destrui passados e futuros, e o presente que recebo são tapas na cara e insultos. Já não aguento mais. Mas também não tenho força para reagir. Sou uma prisioneira dos meus medos, da minha realidade. Mas por favor, não faço como fiz! NÃO SE CALE!




(25 de Novembro: Dia internacional de luta contra a violência à mulher)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Voando com os pés no chão

Era só uma experiência
O pouso foi tranqüilo, sem danos
Estilhaços sob meu cabelos
Eram apenas uma ilusão,
Algo entre o real e a ficção.
Quando estendi a mão em agradecimento
Esperava um grave por, estilo.
Quis desistir naquele momento.
E quando, a gritos, apareceu
Não esperava tanto, restrito.
Mas meu corpo, sem ação, estremeceu.
A experiência foi boa.
Eu apenas estava abaixo daquilo que vi
E sobre o que emergiu.
Como meu olhar, eu também percebi:

Que de tão longa viagem, esqueço quem do lado me acompanha. A viagem foi boa, parecia sozinho. A viagem foi ruim, Esqueci carinho, parecia sozinho.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Essa gente?

Não vagarosa, célebre ou indomada
Desconstruída,
Invisível e ao mesmo tempo alimentada.

Coitada daquela,
De pés rachados, dentes pretos
Que como comida,
Apenas a farinha, a água e o sal.
Deliciam-se como que por um instante
Sanasse a dor de uma vida.

Aquela gente tão sofrida.

A margem de toda a sociedade
Onde lhe tiram a água,
O bem vital do ser humano,
E no lugar lhes dão promessas descabidas.
E como se suficiente não fosse,
Ao pior, a água vira mercadoria e é vendida

Aquela gente tão sofrida.

Aquele agricultor,
Do sertão, do semi-árido.
Que ora Deus que a chuva caia,
Que planta em seco e sob pedras.
E que em tempos de escassez
São esquecidos, renegados,
Anti-humano, ente desalmado.

Bandido mascarado.

domingo, 14 de novembro de 2010

Histórias de José, de Zé.

Sei que há. Dois mundos extremos entre o fazer e falar. Por vezes pendurando nesta linha, curta navalha, que aumenta minha angustia e ao mesmo tempo sustenta meus tristes dias. Ilusão do obviou, sustentação do imaturo, irreal e indissociável do meu ser.
Meu falar parece estranho, minha boca não tem mais saliva, nem veneno, nem misterio ou emoção. Minha historia é vista como quem ver um pássaro voando, em uma tarde de claro sol, ou como quem ver, mesmo que de vista embaçada, uma criança a correr naquele mesmo dia, três horas depois, sob forte vendaval e chuva torrencial. 
Na verdade não sei por te falo estas coisas Maria. A tua vida é tão mais bonita que a minha. Tens tudo que quer e o que não quer joga fora, como quem joga um chiclete mastigado e sem açúcar, ou um cigarro quem não tem mais o que matar.
Maria, um dia eu te conto minha vida... um dia eu te conto maria.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sei que há e que houve as diferenças e divergências,
Sei também que sempre ão de convergir.
Espero na luta Não agredir, a meu companheiro não agredir.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sujeito sem jeito

Considerado sujeito bandido
Tinha Vendido tinha comprado
E depois do presente o passado
E depois um futuro vendado
 
Considerado sujeito de sorte
Tinha a casa,o teto, o luar
Tinha a grana e com que gastar
Tinha a flor, a planta e o pomar

Considerado sujeito perdido
Há tempos correndo sozinho
Pelo mundo, sob pedras e espinhos
Pela historia, sem amores, sem caminho.

Considerado apenas sujeito
E para historio o principal
Não por ser melhor ou maioral
Por que no fim todos somos um. Igual.

Considerado sujeito maluco
Sempre fazendo o que não é  padrão
Indo sempre ao encontro, em subversão
Sempre mais perto, sem mais. Ou não!

Mas que jeito?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

(Des)controle

Gosto de manifestaações espontâneas
Gritros, histeria, comoção
Gosto da loucura simples
Desvairada, sem freios ou mediação


Gosto do que ninguem gosta
Do que não é costumeiro ou trivial
Gosto quando o fim vem no começo,
Gosto do gosto de açucar misturado com sal

Gosto do andar despercebido
Do cantar as escondidas
Gosto quando a luz esqueci de ir embora.
quando perdi o ponto de partida


Gosto quando olho no espelho
E meu gostar se torna dois
Gosto quando te vejo no espelho
Assim, me vejo depois, pois...

O teu gostar é meu gostar
E ao nosso lado, a esquerda,
é lá onde ele estar! Nosso gostar!

(* Inspirado em frases de Talita França)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um dia me falaram que não tinha pra onde ir
Que não havia mais estrada, caminho ou solução.
Um dia me falaram que não havia mais porque lutar
"Porque pior do que estar não dá pra ficar".
Um dia me falaram tanta coisa
e tanta coisa me foi dita, dita, mal-dita!

Mas meu caro, não faça confusão
Não confunda por favor
Sem essa de que não há contradição, alienação.
E nem venha com essa historia: de tudo tudo acabou.
O inimigo esta a espreita e pronto pra atacar
Esperando só um vacilo seu, um desavisar. 

A historia que foi dita
E continua a ser escrita, com gotas de sangue e de suor
Não acaba, nem dilui.
Não enfraquece nem reduz.
E se pareci, não apareci.
Porque sofrido é o sofrer ao se entregar
Porque a historia é finda quando não se ousa lutar.

E ela não há de acabar.
E ela não há de acabar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Eu sei que era

Ela é assim,
Mesmo quando a noite a desvendava.

Ela me dizia tudo,
Mesmo quando sua boca em palavras calava.

E ela cala,
Como a noite cala-se diante do dia;
Como o dia cala-se diante da noite.

Mesmo nem tanto,
Com senso ou sem consenso
Eu amo. E basta!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pois,

É por pensar tanto
E falar tanto.

É por escrever loucuras
e viver-las intesamente

Que as vezes não tenho nada a dizer!
tampouco escrever.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Espera

Espera,
Que diabos você está fazendo?
Você é um idiota, um louco, um insano.
(Nem santo, nem profano.)
Você não sabe o que faz, nem mede a medida?
(Nem remédio, nem ferida.)

Agora eu já sei,
As palavras erradas já foram todas ditas,
Por que as certas não existem.
Eu só buscava ser feliz, sabe?
Sem ferir, magoar, decepcionar.

E eu entendi,
Que nessa busca, nessa procura.
Me perdi e não me acharam.
Fui, mais um fez e sem pensar,
Um ser irracional, inconseqüente.

Espera,
Que diabos você está dizendo, agora?
Não vem como esse lance de tudo ou nada.
Eu só quero você e só quero se feliz! Entendi?
Quero viver a mesma vida, que dias a trás.
Quero ter o mesmo amor.
Quero ter os mesmos amigos.
Quero ter o mesmo sentimento.
Quero viver da mesma forma.

Vai... O que te prende?
Ta esperando o quê?
Sem essa de mãozinha na cabeça, de lágrimas no rosto!
Sem essa de ser o mais mimadinho da mamãe;
A vida é dura, meu caro. Ela dói, machuca.
E não te avisa quando vem ou vai embora.

Os rodeios e mais rodeios,
Que sempre te levam ao mesmo ponto.
Os encontros desencontrados
Armados ou desarmados
Não te dizem nada?

Confesso que quando acordei
Por um instante pensei ser sonho
Por instante apenas.
Mas não durmo mais, abro a porta.
Quando quiser entrar, estende mão, ta?!

Por que... Sabe-se lá da vida,
O que a vida quer de mim!
Mas deixo que ela me puxe pela mão!
As vezes com alegria no peito.
Por vezes com amor, raiva, sem sentido ou sensação.
Mas aprenderei. Não é isso vida minha?
Não e se não,
Larga-me, larga minha mão!