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domingo, 16 de fevereiro de 2014
De um caminho
Foto: Pernes
Uma confusão de estrelas nos teus olhos
Fez que ia me distrair do resto do mundo.
E no que meu único mapa era você,
Um labirinto chamado sorriso
Cuidou de mostrar o caminho do beijo
(Halifas Quaresma)
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Verbo
Minha garganta arranha-se em verbos
Destilando todas as utopias que a alma cria.
Os gritos perdem-se em gramática,
As palavras sussurram meio tímidas as vontades.
Parece que conjugo sentimentos de vapor.
Algo que não toco, mas que paira entre os dedos.
Desloco-me centímetros no tempo
Só pra sentir se é algo que dura.
Pelo menos, tempo suficiente até cortar-me em ecos.
As minhas veias se entopem de migalhas...
Um pão que foi sendo espalhado para desenhar o caminho.
Cada migalha como um verso bem escrito.
Cada verso com um terço de meu suor.
Cada gota,
Com o gosto amargo de uma vida.
(Halifas Quaresma)
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Plágio
Escorre da luz que me cerca
Feito inevitável arrastar-se do tempo,
Todas as coisas que brilham infinitas vezes
No vão, oco, que me enfeita por dentro.
Agulhas frias penteando o ego.
Encaixando cada fio dos longos medos.
Em cada passo feliz,
Enxergo as sombras desenhadas no espelho.
A imitação impune
Do crime imundo que carrego no peito.
A cópia desonesta das farsas alheias
Emolduradas nas verdades que invento.
(Halifas Quaresma)
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Repete-se
A lembrança espalha-se por um terreno comum.
Possui uma via de fácil acesso a todos os labirintos.
Tudo que se vai
Cicatriza seu caminho.
E ela vai cuidando de sangrar as feridas
Só pra te fazer achar as curas
Que nascem aos gritos,
Do ventre de tuas escolhas.
(Halifas Quaresma)
sexta-feira, 16 de março de 2012
Mesmos Cegos
Olha pra estrela
Que se fere de beleza
Num martírio sem fim.
Olha pro infinito que segue
sem mapa ou vontade,
por dentro dos sonhos,
sem pele ou endereço.
Olha por dentro da preça
o pouco de vida
que ainda teme viver.
Olha por dentro.
Que por fora,
até os olhos
já se esqueceram de ver.
(Halifas Quaresma)
domingo, 30 de outubro de 2011
Significa
Sonhar é de tal forma, alcançar a mente sem usar os dedos.
Chorar é beber da alma fora do corpo.
Viver é fazer externo o que se carrega nas veias.
Sorrir é cuspir nos olhos da dor.
Amar é perder todos os dias um pouco de cada verbo
E ainda assim ter algo para conjugar.
(Halifas Quaresma)
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Antes do que se escreve
Desmembrado punho
Lamenta-se, profundo,
Os únicos desenhos que pôde fazer.
Adormecidos sonhos
Queimados, em papel,
Na pele que se molda ao que se resta escrever.
Letra por letra,
Marteladas vezes,
Penduradas uma a uma
Na parede do que se resta dizer.
E lamentavelmente,
Despedindo-se frio,
Vai-se sangue a sangue
Formando-se ser.
Surgido de dores,
Provocável riso,
Adormenta-se em pontos,
Diz adeus ao branco incontido,
Saudando as cores daquilo que se lê.
(Halifas Quaresma)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Daquilo que não posso amar
Desprezo-te por tudo que roubas de mim.
Desprezo-te por toda essência de sono que arrancas de minhas noites.
Detesto tua forma de arrancar-me os olhos,
Como se meu, nada fosse.
Como se a ti houvesse dado,
Aquilo que outrora nunca saiu de mim.
Desprezo teus olhos.
Eles arrancam de mim as atenções que o mundo precisa.
Eles me enforcam nas mil maneiras que consigo imaginar-me dentro deles.
Desprezo-te por todas as horas que arquiteta em minha testa,
Moldando o tempo a tua maneira,
Esculpindo o ar com teus segundos intermináveis.
Tudo o que me resta odiar
É o sabor líquido daquilo que amo.
O amor diluído no calor da sanidade,
Derretendo o gelo do silêncio
E deixando escorrer por dedos as palavras ditas verdades.
É que não posso ter por bem
Aquilo que tira de mim essa força que me faz pulsar.
Por que dentro do peito, eu tudo posso carregar.
Mas se peito não tenho, por te dar, nada posso guardar.
A não ser o nada que me fazes amar,
A ausência que carrego de ti
E o vazio que me fazes odiar
Por não achá-la dentro de mim.
(Halifas Quaresma)
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Voz
Se eu não cantar por hoje não se desespere.
Ás vezes minhas cordas vocais se acham no direito de calar o que o peito sente.
É que depois de dias inteiros de gritos
O sal das horas começa a corroer a voz.
Mais isso nunca foi motivo para aflição.
Ainda posso falar com os dedos...
(Halifas Quaresma)
domingo, 18 de julho de 2010
Desse Blues
O blues me invade suave.
Maltratando os ouvidos com suas falas meio nuas.
A chave da memória descansada em cada nota.
Cada cifra maldosa
Cortando o ar com os acordes da guitarra.
O blues me invade a sala.
Mastigando meus sabores.
E cuspindo fora meus desastres.
O som me invade a alma,
Que toda enlameada,
Começa a dançar.
Traz consigo os baldes de lágrimas.
E com um toque esquerdo de quem ousa machucar,
Toca-me os punhos.
E me leva pro fundo de um quarto escuro
Que eu chamo de porão.
Rime!
(Halifas Quaresma)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Das grades
Sinto-me fraco.
Domado,
invisível, mudo.
As grades de aço que
sussurram velhas,
Prendem-me fora da mente.
Num mundo que parece não ser meu.
De vilões aveludados e inimigos disfarçados.
Doe, mas não por uma fraqueza ao circo de horrores
que bate à porta.
Doe por que de mãos
atadas, meus pensamentos se vão.
Escorrem no
vão do tempo.
E de grão em grão,
Vão enchendo meu passado.
É
das letras que preciso.
São as frases que
me dão o viver.
O mundo lá fora é morno.
O mundo lá fora é doente e não a de ter cura.
O mundo aqui dentro é calmo, individual.
Sou preso pelo externo e livre no que vem de dentro de
mim.
Que vontade de ser casulo de
metamorfose interrompida.
Passar a vida com
asas fechadas, em um abraço sem saída.
Tecendo
a vida com lã de segundos.
Saindo do
estorvo de ser igual aos que voam
E me
enlaçando à liberdade
De ser alimento dos
meus próprios medos.
De encarar minhas
próprias verdades.
De sujar minhas mãos com o
que tenho
E não manchar os pés com a
vaidade.
(Halifas
Quaresma)
domingo, 16 de maio de 2010
Dá-me
Mostra teu rosto solidão.
Vem com tua mão adormecer os meus sentidos.
Distribui sobre meu corpo a tua calma,
Declama ao meu ouvido a tua poesia.
Seja sutil.
Ponha-me pra dormir.
E prometo sonhar com teus olhares.
Não caia sobre meus dias em momentos vãos.
Dos amigos que tenho,
Quero o cheiro, as brigas.
Quero os dias.
Dos amores que perco,
Quero o sabor da alforria,
O peso das correntes partidas.
Os bons momentos
São fendas no tempo,
Brechas.
Que rompem a regra geral dos minutos que chegam,
Insistem em passar
E tendem a não voltar mais.
Agarrá-los pra mim parece ser em vão.
Afinal de contas, no escuro do sono,
Tudo o que me resta é a tua companhia.
Tudo o que me sobra é o teu prazer
De me ver frio em um leito.
Esquentando-me com os pensamentos.
Aquecendo as mãos, com o fogo das lembranças.
Conte-me uma história,
De um desses poetas que acompanhastes.
Espere que meus olhos estejam fechados,
E apenas lembre-se de deixar a porta entre aberta.
Gosto de sentir que existe um lado de fora.
Gosto do sabor de alguns pingos de luz que entram no quarto.
Se acaso amanheço,
Prepara meu alimento.
Algo como o desejo de alguém,
Com um tanto de condimento.
(Halifas Quaresma)
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Retrato
Teus olhos fechados, como cortinas em fim de espetáculo.
Tua mão abraçando o ventre,
Como se tocasse o cansaço.
Teu sono abraçando o silêncio.
Teu corpo repousando em uma paz inacabável.
Deus me deu olhos.
Mas eles não tocam,
não sentem,
não beijam e não sabem fingir.
Queria eu estar ali.
Quem sabe,
Do lado de dentro da tua testa.
Vendo,
ouvindo,
dançando com tuas idéias.
Brincando com os teus sonhos
no balé desses desejos.
Mas o retrato nada mais é, que um plágio do real.
Um furto que maltrata,
engana e ofende.
Pois desejaria mil vezes não enxergar tais imagens.
Do que vê-las todo dia,
E tê-las apenas em minha mente.
(Halifas Quaresma)
Eureka
O homem,
Criação da livre expressão divina,
Liberdade, cárcere, condenação e carrasco de si mesmo.
Tende a obedecer exatamente aquilo que pensa
E a desprezar tudo aquilo que sente.
O homem,
Sinônimo imediato da palavra dor.
Palhaço do “eu”, platéia do “mim mesmo”.
De peito aberto para receber as balas do vento
E as rajadas das madrugadas de silêncio.
É o único entre todos e uma multidão dentro de um só.
A verdade é que ele cria.
Maravilhas, horrores, fantasias, decepções, agonias.
A lista nem cabe nos pensamentos.
O homem faz nascer estrelas em fogos.
Enfeitando a alma dos encantados pelo esplendor das
explosões.
Assim que for provado ser a guerra algo bom,
Disponho-me a ser escudo.
É que nada me fascina tanto,
Do que a doce face teatral do homem.
A felicidade abraçando o sabor triste das coisas.
Pois o homem,
Gênio indomável e rei de todo o nada,
Cria o mundo e a ele não faz nada.
É o primeiro a encher-nos de esperança.
E o único, capaz de fazer brotar lágrimas,
Nos olhos de uma criança.
(Halifas Q.B.)
domingo, 28 de março de 2010
Peço silêncio
Shiiiiiiiiii!
Silêncio,
Se continuar gritando irá acordá-los.
Foi difícil fazê-los dormir.
Agora que descansam na cama que preparei,
É justo que tenham o sono merecido.
Afinal de contas são quase 15 anos de tormento.
Noites, dias, tardes
Nenhuma hora era o suficiente para cansá-los.
Deixe-os recuperar o tempo perdido.
Afinal foram quase 15 anos de tentativas incessantes de me
fazer viver
Ou de me tentar a chorar.
Deixe que sonhem com o dia em que dará tudo certo.
E que logo irei abandoná-los.
Deixe que pensem que não preciso mais deles.
Afinal, os carreguei no peito a vida toda
E sempre que necessário, os agarrava para banhos de
lágrimas.
Não quero que acordem assustados, pensando que já acabou.
Deixe que pensem que não pretendo voltar a vê-los.
E que não pretendo voltar a ser deles prisioneiro.
Deixe a Solidão, a Angústia, os Pensamentos, o Amor e os
gêmeos: Vontade e Querer
Dormirem por mais uns 10 minutos.
Nada mais que isso.
Pois logo pretendo acordá-los.
Para lhes dar o alimento do mês.
E como tem sido a tanto.
Que comece tudo outra vez.
(Halifas Q.B.)
No Campo
É sempre uma batalha esperar.
É sempre uma tortura suportar tamanha exatidão do tempo
É sempre um milagre acordar.
Nessa batalha não existem armas, nem morteiros
Apenas o objetivo da conquista de um território alheio.
Invadir sua imagem, isso sim é errado
Plagiar seus traços
E copiá-los em minha mente
Fazendo-os verdadeiros quadros de tinta óleo,
Que escorre via testa.
Na confusão das lágrimas, meu cérebro não enxergou seus
olhos.
No momento,
Ti ver em carne apenas uma vez na vida
Me fez perceber que estou em constante luta contra o acaso
A glória na guerra é ter sangue nas mãos e não saber de quem
é.
Pois não me lembro de estigmatizar meu corpo,
Muito menos de fazer sangrar teu coração.
Mais o que me importa no momento,
É a bandeira erguida no alto dos sonhos.
Não tem brasão, nem cor.
É algo parecido com o nada, enfeitado com alguma beleza, com
alguma poesia.
Em essência, é apenas um momento nas minhas loucuras
No todo, é a primeira vontade do meu coração.
Talvez um dia eu receba uma medalha da vida
Por qualquer coisa que eu tenha feito em ofício.
Por honra,
Por amor,
Ou por simples sacrifício.
(Halifas Q.B.)
segunda-feira, 22 de março de 2010
No íntimo, mentiras
Ei!
Preciso lhe falar das mentiras que encontrei.
Guardadas num quarto escuro, submerso na minha alma.
Eram retratos escritos de vontades incontroláveis
Que pensei serem verdades.
Ei!
Eram todos papeis escritos à mão
Com tinta vermelha e indignações transparentes.
Meus olhos tremeram ao sentir tamanho pulso
De um coração sangrado, mudo.
Ei!
Preciso lhe falar do que vi
Era um livro cheio de desejos
Lotado da caligrafia minha
Mas que nada tinha a ver com a verdade, porque de verdade
nada tinha.
Sim.
Estava enterrado em uma ferida
E li no íntimo das primeiras páginas
Frases sujas, dotadas do nada que me afligia
Eu não amo, eu não quero, eu não desejo...
Eu te tenho, eu não te espero, eu me obedeço
Eram tantas heresias que fechei o livro logo no começo.
Não vi o fim.
Vi a capa, que era um espelho.
Embaixo da imagem, um poema ligeiro:
“eu comecei; do fim nada sei, pois ainda não existe meio”
sexta-feira, 19 de março de 2010
Areia e mar
Surdo, mudo e cego estou
Pra não perceber meus erros
Pra não enxergar que preciso mudar
Afinal de contas sou dois em um só corpo
Coração de homem
E alma de poeta.
Não me considero como tal e nem quero
Mais meu querer esta muito longe de ser ouvido por minhas
idéias
Afinal,
Pelo que me consta,
O delírio nasce tatuado na alma do artista
Como uma âncora no braço de um marinheiro
Ou a mentira na face do mundo
O homem é areia do tempo
E cai constantemente
Afunilado pelo progresso
E se aglomera num mar de mesmos erros, em uma ampulheta sem
fim.
O poeta,
É o elo dos pensamentos e a força dos momentos
Ligando o nada com o tudo
E o vazio com o completo
O poeta não é o progresso.
O poeta não é a areia.
O poeta,
É o próprio tempo.
O poeta,
É o próprio mar.
O poeta,
É o próprio medo.
O poema,
é o próprio ar.
(Halifas
Q.B.)
sábado, 13 de março de 2010
Vida
Durma de vez em quando e espere o tempo passar.
Sorria dos momentos e com eles.
Tente a sorte de um amor.
Se você quiser virar estatística em alguma coisa,
Deseje que seja em relação ao coração.
Deite em um muro de
cacos de vidro para sentir o nojo da dúvida.
E divirta-se a moda de todas as horas.
Beba, fume, transe, olhe, ouça, sinta, ame, odeie, abrace,
perdoe
E em um dia frio,
De ventos fortes e janelas embaçadas,
Brinque,
De saber tudo sobre qualquer coisa.
Iluda sua mente em favor de suas vontades.
E quando tudo o que restar for um olhar decepcionado na
frente do espelho,
Com um rosto cicatrizado pelos
anos e molestado pelos dias,
Jogue dados com a morte
E prove que até mesmo a irmã casula da vida,
Precisa de sorte.
(Halifas Q.B.)
Dúvidas e Certezas
Meu coração sangra mais para o lado de fora,
Quando só posso te ver do lado de dentro dos meus olhos.
Meus olhos,
Livre expressão de tudo aquilo que sinto,
De tudo aquilo em que me perco.
Perda,
Palavra que me persegue a longos passos aleatórios.
Se me perco no vão dos pensamentos, em noites intermináveis
de ESTRELAS intocáveis,
Encontro-me no teu rosto, na tua face.
Teus olhos refletem um estranho,
Os meus, me mostram meu mais puro desejo,
Minha mais humilde vontade.
Na desordem dos meus dias sem nexo
A mais fiel companhia é a lágrima que passeia sob os poros
do meu rosto
Lavando a poeira dos dias, as tristezas,
As cinzas dos sonhos queimados e ressurgidos, tais como a
Fênix quente que mora em mim
A dúvida fácil vem com a certeza de não saber em que pensas
ou o que fazes
E a esperança inútil nos meus olhos,
Vem do mesmo céu que compartilhamos.
Apenas disso tenho certeza.
Que de tudo compartilhamos
Ar, vida, céu, estrelas, dias e noites
Mais nada em nosso favor.
Pois meu egoísmo se põe diante dos problemas do mundo como
sacrifício,
Mas meus sentimentos se põem diante de ti como entrega
Voluntária e satisfeita.
E então, que tenha início o ritual.
Esta noite, sacrificaremos um poeta.
(Halifas Q.B.)
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