quinta-feira, 23 de maio de 2013

E daí?


É muito além de uma mera criação. 
É uma condição milenar a opressão feminina!!! 
E daí que eu adoro jeans e havaianas? 
E daí que não curto maquiagens e esmaltes? 
E daí que não sou florzinha, bonequinha e coisa e tal? 
E daí?

Não sou menos mulher porque teimo em não querer aceitar essas imposições midiáticas. 
Mas a gente se livra...
Ah, se livra!!

Por Carol Sousa Moreno

terça-feira, 30 de abril de 2013

Chave de Casa

Uma chave que te abra por inteiro
Uma chave que só eu saiba o segredo
Uma chave por seu pensamento de agora

Uma chave para me libertar
Uma chave que abre portilhas
Uma chave para te libertar

Uma única chave abre a porta da frente
Entre!

Por Carol Sousa Moreno

quarta-feira, 20 de março de 2013

Das boates e bares da zona leste de Teresina

Madrugada na zona leste

Fim de festa

Vou pra casa a pé

As vitrines me ofuscam

Mas as ruas me levam

Leve

Calçadas onde flutuo

Nem um corpo

Pra me acolher

Nem uma boca

Pra me receber

E um velho refrão que diz

Nós somos tão jovens

S   i   n   a   p   s   e   s embriagadas

Faltam perspectivas

Para o presente

E ações contundentes

Para o futuro

E é nessas horas

Que eu clamo pela poesia


Ah! Poesia

Tão linda

És tão linda

Tão perfeita

Neste mundo poético

E a tanto tempo

Queria te falar

Não sei o quê

Não sei o porquê

Nem sei quem és

E não sei se existes 
Nunca te vi

Só te senti 
Nunca te desejei

Mas te imaginei 
Fica comigo

Como um amigo

Neste instante

Importante

Delirante

Único

E

Solitário

sábado, 2 de março de 2013

Ótima Serventia!


Pra comer, se mover, amenizar o calor...
Explicar amores mal resolvidos.
Às vezes também para contemplar a noite.

Mas, quer saber de verdade o segredinho?
A poesia serve como chinela. Sapato de salto alto,
resistência para o Existir mecânico.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Eu Não Vou Correr mais






Cantei sobre o homem
De olhar atravessado
E me vi refletido
Em seu lamento embaçado
O acorde é triste
A frieza incide
Na dor resiste
Mas sem revide...
Desprezei os avisos
E por puro egoísmo
Deixei amigos ávidos
E pernoitei no abismo
Desistir dos ideais
É Morrer em mil funerais!
Seria fácil demais...
Eu não vou correr mais!
Vou procurar no mais simples gesto
O vento mais favorável
Sair do cômodo protesto
Ser  infalível sobre o implacável
Eu não vou correr mais!
Voltei as origens
Em passos erradios
Sofri com miragens
E pecados movediços
Mas é passado
Jaz abatido
Mal transpassado
Mantra repelido
Tenho meu ás
Eu não vou correr mais

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Clandestina


Quase certa de que porto um objeto ilegal.
Me escondo nas páginas e histórias
que eu mesma queria ser autora.
Mergulho no enxuto da imaginação desses contos:
uma estranha no litoral.
Enquanto observo os mergulhantes no mar.

Observo.
Reservo.
Serva das palavras.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Alguns prazeres e dores não devem ser compartilhados




Final dos anos 80
Teresina, Praça Rio Branco, entre as bancas de revista
Sinto o gosto dos velhos quadrinhos
E o cheiro de blues no walkman
Já aparento ser maior de idade
Então, desço pela Payssandú
Rumo a velhos cabarés
Procurando velhas novidades
Teclado e guitarra em Right
Bateria e baixo em left
E a voz de Jim Morrison em todo lugar
Soul Kitchen em som stereo
A beleza com um berro histérico
Um pensamento pousa na minha mente
As putas e os poetas são muito parecidos
Entre um cliente e outro
Um intervalo de realidade
Entre um poema e outro
Um intervalo de realidade
E no cabaré
Vejo putas bonitas e tristes
Deixando homens feios bem alegres
As putas e os poetas são muito parecidos
Porque se prostituir sem se corromper
É uma arte
Enquanto me arrumo
Ela prepara uma velha receita
Spaghetti alla puttanesca
 Ei, mulher! Você pode dividir comigo?
Sinto muito, poeta
Essa é a minha realidade
Que não dá pra dividir
Aprenda essa dura lição
Não faça poemas sobre tudo
Alguns prazeres e dores não devem ser compartilhados


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sala de Estar



Deve haver lugar melhor que o lar...
Onde não recaia sobre ti outras acusações
Sem mais armadilhas na sala de estar
Ou atores em novas armações
Colecionando martírios
Como bem precioso
É desastre notório
E ciclo vicioso
A bradar delírios
Em pedidos de perdão
É tenso o prelúdio
De medo em solidão
Deve haver alguém para confiar
E mudar tua expressão de descrença
Não deixa o teu rosto enrugar
Nos frios moldes da indiferença...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Garota Paranóica



Ei, há monstros lá fora
Viram o poço de miséria em que você se escondeu...
Eles querem
Te ter agora...
Já se deu conta que teu corpo não é só seu?
Você não escolheu ter
Mais uma noite promíscua no sujo chão
Tem filha para proteger...
Mas sucumbe a escória deste mundo cão!
Nojo do corpo marcado
Fogo no vestido suprimido!
Tem sido aconchegante
Omitir a forte ânsia de morte?
És escrava do prazer alheio!
E o vazio corrompe o teu seio
Teus vícios escondem em vão
Tua beleza em degradação!
Ei, espancam tua porta
Espero que saiba se defender!
Você não é mais quem costumava ser...
Ri e chora para entreter
Não dê a face para bater!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Protetora



Não foram dias fáceis
Mas não direi que foi ruim
A culpa hoje é um fóssil
Encravado em mim
Fiz o meu melhor e ainda assim...
E foi recebendo o golpe da tua punição
Pude sentir o resvalo de uma boa vibração...
Te fazendo feliz
Desafiei a solidão
Você não age como diz
Só reverbera indecisão
Fiz o meu melhor e ainda assim...
Não sei bem o que fazer agora
Sem amor próprio
Nem uma musa inspiradora..
Mas desvendei na decepção
A minha protetora salvação!
Ficou a lição...
Ficaram farpas
Dolorosas marcas
Novos pesadelos
Lesados devaneios
Parcas esperanças
Em velhas desavenças...
Fiz o meu melhor e ainda assim...
Se sou arma em tua mão
Não seja a minha munição...
Se aprecia julgar por intuição
Deleite-se com a minha doce dedução...
Decepção...
Fiz o meu melhor e ainda assim...
És tão inocente
Pega em flagrante!
Foi tão presente
O meu melhor instante!
Fui o verso
Do teu inverso!
Por onde passo
É desfazendo laços...
Fiz o eu melhor e ainda assim...