sábado, 29 de maio de 2010

Sinto...


Sinto um árduo sentimento agora,
Sinto um forte calor entre os dedos,
Sinto sair de mim o mais profundo suspiro,
Sinto a abstração de estar dentro e fora.
Sinto um pesar estranho, coisa real por fora,
Sinto uma dor imensa, coisa real por dentro,
Sinto a cabeça zonza de tanto imaginar,
Sinto o coração infame por tanto sentimento.
Sinto falta daquilo q jamais tivera outrora nem agora,
Sinto saudade do que foi sem amenos ter sido,
Sinto a ausência de um Amor sublime que me ronda,
Sinto a incerteza de um amanhã que me apavora.
Sinto muito por não poder estar onde deveria,
Sinto mais ainda por estar onde estou,
Sinto mesmo,pois assim sei de tudo que faria,
Sinto por ser dessa forma agreste que sou.
Sinto também por não lutar com todas as forças,
Sinto por sorrir e mentir minha real condição,
Sinto não conseguir encontrar outras bocas,
Sinto viver a vida como um cão.
Sinto se sou melhor assim, se desejo ser assim,
Sinto se preciso correr e se preciso voar,
Sinto não querer mais estar onde estou,
Sinto por querer sutilmente me soltar.
Sinto também me sentir bem melhor que antes,
Sinto estar bem dessa maneira,
Sinto..mas amo de tal forma inerente
Que todos os outros sentimentos ser-me-iam inconstantes.

Oscilação



O amor que trago em mim simplifica
A emoção que sofro quando penso em
Alguém que, por conseqüência de minha
Fiel inconstância, não se sabe quem é.
Ora sofro, ora penso, porém não me alegro
Nem tampouco me satisfaço; o que faz de mim
Uma mortal com amores imortais.
Não preciso estar com um ser para amá-lo;
Digo e sempre hei dizer: o amor só vale se for
Inatingível, o risco da decepção é inerte rompendo
Todos os possíveis rumores.
Amo sim, sempre... e sempre hei de amar!
Tenho anormal vocação para tal, pendendo um pouco
Mais ao sofrimento.
Sei que estou certa (pelo menos para mim) e
Pensarei assim sempre estar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Poder Imprevisível da dor (ou do amor)



Hoje sei o que perdi, sei também o que vivi
E quanto mais tento esquecer
Menos consigo expelir de mim o que sofri
O que sofro, por assim dizer. Não almejo ser
Algo que permanece com uma doce quimera
Desejo sangrar os mares doces do meu desespero
Com o motivo concreto que me dilacera
De saber que sou fruto do fúnebre enterro.
Saio de mim porque já não posso em mim estar;
Porém permaneço-me, pois não há saída
Sou assim, vale-me apenas sonhar
Afinal, construo meu caminho só de ida.
Dói, como dói, e sei que acima do nada
Serei tudo o que a dor puder transformar
Pois minha vida assim é bem maravilhada
Permitindo-me, apesar dos ares, ainda amar!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Desalento vital


Pretendo triunfar minha desconformidade
O momento me congela e faz-me ausentar o riso
Estou triste, como sempre permaneço!
Cessarei minha indolência e, quem sabe
Um dia hei de impregnar o conforto em meu leito.
Agora estou sólida, como se estivesse para amar
Posto que não há ninguém em minha estrada.
O que faço agora, se tudo para mim é nada?
Se o meio garante-me o pranto?
Se o sol brilha fora de mim?
O que almejo, se já nem posso?
Por onde andei, se nem sei onde estou?
E aonde irei?
Sou uma eterna pergunta, conquanto sem resposta.
Meu lado esquerdo até parece sorver a inspiração
Que já provém de tamanho desalento disperso
Em emoções que optaria por não descrever.
Poderei viver até o fim de meus dias sozinha,
Poderei até estar com outrem aqui ou em qualquer outro ambiente,
Contudo sei que a interrogação prevalece.
Preferia melodias nas veias
ao invés de sangue.
Assim quando de subito meus cortes ficassem expostos
Encheria-lhes os ouvidos
ao invés de sujar-lhes os tapetes.


Fernanda Paz

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Não sinto


Sinto muito por não sentir nada
Eis que o meu sentir atordoado

Transbordando de repetidas dores


Derramou você como água.
Expeliu de mim teus sabores.



Fernanda Paz
Já perdoei e pronto não é bom ficar pensando mais nisso,
Chega de atraso, vou honrar com meu compromisso.
Se a incerteza bater, abre os braços, diz que estou seguro
E se for pra não prometer mais nada eu até juro.

Senta aqui do lado, vamos conversar calados,
Não diz nada, que é pra eu entender.
Deixa o celular ligado, se o coração está parado
Achei a porta pra eu bater.

Então fica como é, deixa como está,
O que mais te deu raiva foi fazer lá o que não fez aqui.
No mais, deixa como é, fica como está,
Se precisar ainda estou ali,
Se precisar ainda preciso de ti.

Fiel angústia

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Essa dor meio confusa ainda ronda meu íngreme personagem,
Personagem de um filme bom, com boas idéias e mais ainda,
Um amor maior que o normal e tão perfeito que até distrai
Essa dor está presente até mesmo durante sua presença.
Essa dor que é minha,
Que é desesperadamente minha e por nada no universo quer-se evadir
Ou mesmo disfarçar que existe, porque essa dor
Nasceu do mar que não nada em mim,
Cresceu no oceano que desconheço e agora
Não há como voltar à superfície!
Desconheço quem sou neste momento, tudo parece novo
E insano; tudo serve como despreparo natural
Como coisa real que insiste em estar aqui, sem ausentar-se por nada
Nem tampouco por ninguém que valha a pena.
Ou esse alguém não valha tanto, exatamente por saber
Que não posso ter nem ao menos por perto.
O que mais me difere do subúrbio apertado e elitizado da sociedade
É que tenho em mim uma dor tão grande, tão espaçosa
Que as vezes nem ao menos dá para respirar,
Essa minha angústia angustiante contorna meu radar,
Transpõe meu ensejo e alimenta meu desprezo
Preciso viver ao menos para viver,
Preciso respirar ao menos para continuar viva
E continuar viva ao menos para poder sonhar.
Se eu sonhar mais do que posso, talvez possa agir;
Agindo, suprirei essa minha tão fiel angústia,
Que se transforma em dor e almejo pelo sofrer,
E Sofrendo jamais poderei sofrer.

domingo, 23 de maio de 2010

Amo-te


Dias iguais, horas sempre iguais, as cores são as mesmas e eu continuo aqui, circundando meu horizonte em busca de um novo ser, facilitando demais as maldades desta vida.

Amo-te com a essência expugnante que isso causa, pelo tempero a mais que uma comida deve ter, pelo acúmulo dilacerador de pensamentos introspectivos e pela surdez exacerbada que ocorreu em mim.

Amo-te pelas simples coisas, e também pelas mais complexas, como se um arco fosse-me lançado a cada suspiro, desobstruindo todos os meus vasos internos.

Amo-te pela dor devastadora que tal fato se abate. Amo-te por todo o azul do céu, pelo cantar dos pássaros, té mesmo pelo renascer da Fênix.

Amo-te e basta. Janelas do meu quarto mostram-me a parede vizinha, e olhando para aquela parede, penso, cogito e lembro-me de tudo que pudera haver.

Amo-te pelo fato consolador de sofrer como há muito não fazia, por estar sempre à espera e por ter cansado de procurar, pela trava que pus em meu peito e mesmo pelo amor exaustivo que vos devoto.

Amo-te e jamais poderei suprir a falta de tua vida, amo-te até mesmo por que há em mim o sentimento do amor, ser-me-ia improvável não amar-te.

Este amor é somente meu, e tudo se resume no meu amor, e também no meu clamor; clamor por tudo que acho certo e por ter de sofrer por ti.

Amo-te por todas as primaveras, sempre te amando e te desamando, deixo de te amar durante a primavera, todavia volto e amo-te no verão, porque no verão o sol parece aquecer minha paixão e faz-me apreciar seu rosto tão sublime quanto o mar.

As estações são mesmo assim, faz-nos prestar mais atenção no que nos ronda. Os ventos que te desejo, são os que possam te trazer para mim, a música que te ofereço é a mais perfeita canção, só porque é para ti.

Amo-te e esta é a essência de minha vida.

sábado, 22 de maio de 2010

Desconsolo


Detesto quando o mundo gira contra mim;
Detesto estar com um peso na garganta;
Detesto ter esses pensamentos marginais;
Detesto não conseguir estar bem e ficar bem;
Detesto simplesmente chorar quando eu quero rir;
Detesto ficar mal por pequenos delitos;
Detesto sugar de mim mesma esse brilho tênue;
Detesto ter em mim um eterno mal-estar;
Detesto detestar ser quem eu sou;
Detesto estar assim, queria ajuda..
Queria salvação..
Queria algo que me fizesse parar de detestar isso tudo;
Queria alguém que me mostrasse o lado A da vida;
Queria ser feliz!