domingo, 13 de janeiro de 2008

AMOR CONTEMPORÂNEO



De sangue impuro, sujo, estamos cheios
Feias palavras, tristes ilusões
Meu choro, nosso choro, devaneios
Um lágrima que cai aos borbotões...

Maldita frase: "amores em teu seio"
De amor agora restam as canções...
A destruição total ainda receio
No amor agora tiros de canhões

Pensam poderosos teus perseguidores
Pérfidos, pedantes, perante a paixão
Que a vida só é vida sem bobos amores

Pensam, e só pensam, um dia verão
Após ter no rosto os tristes palores
A falta que faz um vivo coração

OS PÁSSAROS


Pássaros cortam o céu
Voam livres, vôos lindos
Debruçam-se num papel
Sentimentos exprimindo

Pássaros são criaturas
Que não vivem pelo chão
Pouco importa a envergadura
Ou quando eles pousarão

Pássaros em revoada
Cantando juntos em coro
No sol e nas madrugadas

Ou talvez em triste choro
Vertendo por suas amadas
As suas deusas de ouro

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

LUANA

Lua deste céu que minhas noites ilumina
Na companhia de tuas distantes estrelas
Quero confessar-te hoje, não ria
Tenho um amor que não posso tocar

A menina alegre, a visão dos sonhos
Vestida de linho, linhas esculpidas
Seus olhos, chamas de vivacidade
Sou dela um simples, um mero escravo

Minha dama da noite, minha confidente
Tu és minha musa e ela minha paixão
Sei que ela me deixa inteiro sem ação
Mas sei que um dia ela terá que ouvir

Os suspiros loucos do meu coração
Meu delírio, meu sonho impossível
Mas acho que ela prefere
Outro sol que a esquente

LÁBIOS LETAIS




Se teus belos olhos fossem a mentira
Eu ciente disso ainda iria acreditar
Que do fogo ardente deste teu olhar
Ainda há o amor que em meu peito tu abrira

Se a tua virgem e molhada boca
Do néctar puro e nunca provado
Tocasse a minha neste meu estado
Sei que morreria com esta frase louca

Senhores dos céus e da maldita Terra
Sabeis que agora chegou minha morte
No fim deste beijo que a vida encerra

Senhores do ódio e do meu amor
Peguem meu cadáver, joguem logo à terra
Pois daqueles lábios provei o sabor

ESTRELA DOURADA


Agora me encontro em dia claro
E o calor destes ventos em meu rosto
Traz o desconforto, até que me deparo
Com a brisa fria e suave à meu gosto

Eu acho tão lindo este raio amarelo
Que vem até mim sem nada me cobrar
O raio da vida, simples e sincero
Aquece a corrente do mar e do ar

Em meio às plumas deste céu azul
A dourada estrela em intenso fulgor
Revelou-me que a linda figura era tu

A alma perdida que levou o amor
A doce menina dos campos do sul
A fera selvagem que nada deixou

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A PRAIA


Todos vangloriam seu belo lugar
E eu longe do meu
Longe do meu mar
Vivendo no breu

Todos que conheço
Irão se ouriçar
Se falo mal do berço
Que os trouxe para cá

Eu quero o meu sol
Quero minha areia
Quero ver ao longe o belo farol

Quero a ventania que o peito incendeia
E o pescador com a rede ou anzol
Quero ver de novo a minha lua cheia

DAMA DA NOITE


Agora finalmente vejo estrelas
Imersas no firmamento a luzir
Depois de tanto tempo posso vê-las
E nesta alegria, lembro-me de ti

O brilho, os olhos, a contemplação
Tua face brilhante em céu estrelado
Nem penso que lá outros seres verão
Teu belo semblante com num bordado

Desenho nos céus, a constelação
Uma nuvem negra não apagará
O lindo delírio de um coração

Sol, hoje não quero o teu despertar
Não tires de mim a minha prata paixão
Não quero o teu belo amarelo no mar

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

ARDENTE SANGUE EM NEVE

Estava elegantemente vestida
Foi por mim violentamente despida
E o seu corpo, o sangue a correr
Em rio nunca antes percorrido

O leito entra as pernas tão alvas
Antes pura, nua tentação
Fui o anjo negro debruçado em teu corpo
Manhando, ferindo, com sofreguidão

E a sede, volúpia dos corpos
Em ti começava a ferver
Depois do deleite nos copos

Gemidos frementes, ardentes na alma
Os vórtices do ser em fúria
O último urro do animal selvagem

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

ÓDIO

Furioso, possesso de raiva
Saindo da razão
Ninguém me entende
Ninguém se importa

Não indague por que
Não tire de mim
O que não posso dar
Só desprezo pelo mundo

Não procure alguma métrica
Não acharás rima rica
Nem linguagem de poeta
Nesta vida condenada

Ao marasmo, ao fracasso
Tédio e melancolia
Mas esta é a minha sina
O meu destino sem sol

Sem amor, sem ninguém
Seus olhos vêem apenas
Aquilo que o espelho vê
Apenas a luz de fora

Mas agora a luz é negra
Mesmo que isso não exista
É escuro e tão quente
Podem sair alguns ratos

Não fique tão preso agora
Procurando entre as linhas
Algum sentido escondido
Ou belas frases de amor

A vida que me derruba...
Agora não mudo o foco
Do poema amargurado
Cheio de ódio nas letras

Você sabe, mas não muda
Inteligência, inconsciência
Não aprecia belas artes
Vive na escuridão

E o dedo ainda é nervoso
Nesta noite de novembro
Sem chuva que me aclame
Sem lua que me ilumine

Ao inferno com padrões
Mesmo que ainda os siga
Todas as grades de vento
Condenam todas as almas

Quebrou o ritmo ao ler?
Pare, pense, não critique
Só o que sabes fazer
Por que não aprende a escrever?

Mas este dom não é seu
Este dom nunca foi meu
Um dia posso cansar
De brincar sem alegria

Mas ainda estou no lodo
Delirando em mar de ódio
Se quiser alguma rima
Faça seu destino próprio

Se não sei
Por que escrevo?
Pois já cansei de falar
Que ninguém se importa mesmo

Estou escrevendo pra mim
Mas não um bobo diário
Só relatos de uma vida
Não sei quando irei morrer

E se morresse amanhã
Não estou mudando o foco
O que tanto eu deixaria
Só mais essas letras tristes

Como deixaria muito
Ah! Que vida tão inerte
Não trabalho, não estudo
Só tenho o lápis na mão

E com este lápis na mão
Depois me arrependerei
O meu ódio amenizou
Mas ainda desenharei

EXUMAÇÃO


Um sorriso mais parece um troco
Retribua-me o que te fiz
E se não te fiz nada
Não deves me dar nada

Um olhar abre o oceano
Outrora intransponível
Barcos passam, navios
E perdem-se na linha

Um beijo, papel em branco
E não vai ser escrito
Não vai ser lembrado
Rasgado e queimado no escuro

O que era vermelho é transparente
A estrela maior não brilha mais
O seco em volta quer me ter
Mas ainda sigo no rumo do rubro