sexta-feira, 13 de março de 2009

( ), NOSTALGIA

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Onde estarás, amor meu?
Se é que ainda és meu amor
Se é que algo ainda restou
Do que a gente nem viveu...

Cantar-te ainda em meus versos?
Ah! Isto já não mais faço...
Já não mais erro meu passo
Sei que nunca serás minha

Amor, amor, não há como esquecer
Mesmo que nunca tenhas me amado
Lembrarei de ti até o último dia
Mesmo que uma vez só a cada verão

Enquanto isso estarás com tua vida
Feliz? Não sei, nem estarás comigo
Não lembrarás de mim uma só vez
E tudo isto já nem me dói tanto...

O BOÊMIO

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Quero perder-me no amor
Quero amar a todas
Quero amar com todas
Sem nenhum pudor...

Mulheres vulgares
E virgens de sonho
O maior dos romances
Ou uma só noite...

Quero perder-me no vinho
E não mais regressar ao lar
Andar como um vagabundo
Na loucura me atirar!

Corroa-me, boemia!
Pois quem nunca foi boêmio
Não sentiu ainda na vida
Seu sabor mais excitante...

segunda-feira, 2 de março de 2009

FALÁCIAS II


E se não tivestes vivido intensamente?
Se tivestes vivido conforme o falso moralismo
Desta sociedade hipócrita?
Ah! Que lástima seria...

Pois todos morreremos!
E morrestes tão cedo...
E se não tivestes vivido intensamente?
Serias esquecida após um tempo
Como também serás esquecida
Mesmo com tua vida de loucuras...

E se não tivestes amado intensamente
Com tantos, com tantos...
Dado liberdade aos desejos inerentes?
Chamaram-te puta despudorada
Mas quais deles poderiam julgar-te?
Quais delas não sentiam inveja de tua liberdade?
E quais deles não sentiam desejo por ti?
Ridículos, hipócritas!

Lembrarão de ti como a louca
Ainda que por pouco tempo
Porém sempre fostes mais feliz que eles
E isto já basta.

FALÁCIAS


Ó céus! Não sou perfeito!
"Que mal fiz eu aos deuses todos?"
Por que só a mim não concederam perfeição?
Ai, ai, tolas pessoas...
O que fiz faria de novo
E com muito mais afinco!
"Louco e com direito a sê-lo"
Não me julguem, que não podem
Pobres tolos das falácias!
Louco, louco! Porém não tão louco
A ponto de crer cegamente
Em crendices e religiões
Falem, vidas miseráveis
Pois é só isto que podem...

CARNAVAL


Eis que chega o carnaval
Carnavalis, Carnavale, Carne vale
Eles vestem suas máscaras:
Camisa importada
Calção importado
Tênis importado...

Eu preferia as antigas máscaras.

POETISA

Mostra-me teus poemas, menina
Deixa-me ver a poesia que há em ti
O que te aflige, o que te felicita
Teus sonhos, teus amores...
E as coisas que este mundo louco
Foi capaz de te dizer...

HAICAI V


Estranho e paradoxal:
Estas pessoas imperfeitas
Cobrando-me perfeição!

PARÓDIA


Quem serei?
Quem fui?
Quem sou?
Quem poderia ser?
Quem teria sido...

Quantas bifurcações, quantas escolhas?
Onde estarão perdidos
Os meus outros eus?

domingo, 1 de março de 2009

Kelle



De um certo modo
me nasce uma vontade
de se prender novamente
de se perder novamente
e
neste universo particular
encontra-me.

PRISÕES MENTAIS


O universo que já vi jamais verás
Porque estás presa a estas correntes
Mesmo sem saber que estás...

As sensações que tenho nunca terás
Porque tens o horizonte reduzido
Por toda esta tão suja sociedade
Que sempre tenta reduzir-nos todos

O mundo sempre tenta trancafiar-nos
Deixar-nos ignorantes e tolos
Com religiões, consumo, egoísmo...
Com pão-e-circo nos ludibriando
A fim de que não perturbemos nunca
A diversão na cúpula real...