sexta-feira, 7 de março de 2008

NORDESTE

Ah, estas águas daqui
Nossos rios Nilos
Parnaíba e São Francisco
Dois velhos...
Passando na terra seca
E cheia de fé

Nossos velhos, homens valentes
E nossas sábias senhoras
E estes meninos brincando
Por entre as pedras, sonhando...

quarta-feira, 5 de março de 2008

OS AMIGOS

Sentados na praça
Conversam, poetam
Os amigos
Divagam, discutem
Alguém a passar
Atrai o olhar
Dos amigos
Um lápis, papel
Mãos de juventude
Cérebro de arte
Coração de pássaro
Dos amigos
Levanta e escreve
Pega do papel
Pega da magia
Que é a poesia
Escreve deitado
Ébrio mal-amado
Escreve temores
Escreve os amores
Dos amigos

CONTEMPLAÇÃO

Que sorriso! Que olhar!
Que maravilhosos olhos...
E eu não irei cansar
De admirar aquele olhar

Pois os olhos, meus caros
São as janelas da alma
Como dizia o Poeta

E eu repito a toda hora
O mais belo desta vida
(vida de olhos opacos)
É o brilho daquele olhar

GRANDE CIDADE QUALQUER

(Oh, desculpem-me os fãs de C. Drummond por esta paródia sem inspiração)

Casa entre casas
Mulheres entre as ruas
Deserto ódio exibir
Um homem vai rápido
Um cachorro vai... morrendo
Um burro... não vai
(Uma moto cai)
Rápido! As janelas blindadas olham
Eta vida besta, meu Deus.

terça-feira, 4 de março de 2008

SONHO

Fugi
Tranquei-me
Fiz poesia
Libertei-me

PARDAIS E DRAGÕES

Vieram os pardais
Vieram os pombos
Vieram os falcões
Vieram as águias
Vieram os dragões
E queimaram tudo...
Hoje vêm os urubus...

PERTO DE UMA CRUZ PESADA

Perto de uma cruz pesada
Sempre há o negro
Das velas alvas
E o pranto dos miseráveis
Crendo nas estátuas
De pedra fria
Escultura é arte
Só ela é bonita.

ABSURDO

Risos para todos
Palmas para todos
Para todas as frases
Imbecis, os três
Tenho apenas pena
E um livro na mão
Este sim, gigante
Este sim, pensante...
Mas sou considerado
The lunatic

AMOR MODERNO

Primeiro química, depois física
Depois letras, depois fórmulas
Depois... teus olhos
E junto minhas letras
Os dois no papel
Teus olhos são lindos
Minhas letras... horríveis
Ah... mas são minhas
E eu as entendo
Eu as te dedico
Mesmo em tempos modernos...

TIMIDEZ II

Distanciam-se de mim
Nem ao menos sei porque
Mas talvez até saiba
Deixam-me sem ninguém
Deixava-as também
Sou confuso demais
E mistérios rondam tudo
Mistérios rondam meu mundo
Ninguém sabe o que me faz
Como sinto a palavra
Que me é dita, jogada
Universo em retração
Porém pulsa o coração
Ainda há uma flor na mão
Não sei se receberão